NESTE ARTIGO
- O que é a vitamina D — e por que ela não é bem uma vitamina
- Para que serve a vitamina D no corpo
- Vitamina D e o cérebro: como ela age na saúde mental
- Vitamina D e depressão: o que a ciência diz
- Ansiedade, TDAH, bipolar e outros transtornos
- Sinais de deficiência de vitamina D
- Como saber se você tem deficiência
- Dosagem e reposição correta
- Por que os brasileiros têm deficiência mesmo com sol
- Passo a passo para cuidar dos seus níveis
Sobre a Dra. Romana Marzarotto

Dra. Romana Marzarotto é médica com atuação em saúde mental e medicina do estilo de vida. CRM SC 37262.
Sua abordagem integra medicina baseada em evidências com uma visão ampla do paciente: sono, alimentação, suplementação, saúde mental e qualidade de vida.
Ela acredita que cuidar da saúde mental vai muito além de prescrever. Envolve entender o estilo de vida, corrigir deficiências nutricionais e, quando necessário, tratar com responsabilidade e humanidade.
Quer uma avaliação completa da sua saúde mental e dos seus níveis de vitamina D?
Consultas presenciais e online disponíveis.
A vitamina D é um dos nutrientes mais estudados da medicina atual.
E um dos mais ignorados na prática.
A maioria das pessoas sabe que ela é importante para os ossos. Mas poucos sabem que ela age diretamente no cérebro. Que influencia o humor. Que está associada à depressão, à ansiedade, ao TDAH e a outras condições psiquiátricas.
E que a deficiência de vitamina D é silenciosa — e muito comum no Brasil, mesmo com todo o sol que temos.
Neste artigo, você vai entender o que é a vitamina D, como ela age no seu corpo e no seu cérebro, quais são os sinais de deficiência e como repor com segurança.

O que é a vitamina D — e por que ela não é bem uma vitamina
Tecnicamente, a vitamina D é um hormônio. Não uma vitamina comum.
A diferença importa. Vitaminas precisam vir da alimentação. Hormônios são produzidos pelo próprio corpo — e regulam funções essenciais. A vitamina D faz as duas coisas: pode vir da dieta ou ser sintetizada pela pele quando exposta ao sol.
Depois de produzida ou ingerida, ela passa pelo fígado e pelos rins até se tornar sua forma ativa: o calcitriol. É essa forma que age nos tecidos — inclusive no cérebro.
Receptores de vitamina D foram encontrados em praticamente todos os tecidos do corpo humano. Isso significa que ela participa de uma quantidade impressionante de processos fisiológicos — muito além do metabolismo do cálcio.
Para que serve a vitamina D no corpo
Essa é a parte que surpreende muita gente.
A vitamina D regula a expressão de mais de 2.000 genes no organismo humano. Isso inclui genes envolvidos na imunidade, na inflamação, no crescimento celular e — sim — no funcionamento do sistema nervoso.
Entre as funções mais importantes:
- Saúde óssea: regula o cálcio e o fósforo, prevenindo osteoporose e raquitismo
- Imunidade: modula a resposta imune, reduzindo infecções e doenças autoimunes
- Função muscular: fraqueza muscular é um dos sinais clássicos de deficiência
- Regulação hormonal: influencia insulina, cortisol e hormônios sexuais
- Proteção cardiovascular: associada a menor risco de hipertensão e doenças cardíacas
- Saúde mental: atua diretamente na regulação do humor e dos neurotransmissores
É uma lista longa. E ela explica por que a deficiência tem tantas faces — e por que é tão difícil de reconhecer sem exame.
Vitamina D e o cérebro: como ela age na saúde mental
Aqui está o que mais interessa do ponto de vista psiquiátrico.
O cérebro tem receptores para vitamina D em regiões diretamente ligadas ao humor: o hipocampo, o córtex pré-frontal e a amígdala. Essas áreas estão envolvidas com memória, tomada de decisão, regulação emocional e resposta ao estresse.
Quando os níveis estão baixos, essas regiões funcionam de forma menos eficiente. E isso tem consequências reais na forma como a pessoa se sente.
Os mecanismos mais estudados incluem:
- Regulação da serotonina: a vitamina D estimula a produção de serotonina — o neurotransmissor do bem-estar
- Proteção neuronal: age como neuroprotetor, reduzindo a morte de neurônios
- Controle da inflamação cerebral: níveis baixos aumentam marcadores inflamatórios associados à depressão
- Modulação do eixo HPA: influencia a resposta ao estresse e os níveis de cortisol
- Síntese de dopamina: participa de vias dopaminérgicas ligadas à motivação e ao prazer
Esses mecanismos explicam por que a deficiência de vitamina D aparece com tanta frequência em pacientes com transtornos do humor.
Quer saber se a vitamina D pode estar influenciando o seu humor?
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Vitamina D e depressão: o que a ciência diz
A associação entre vitamina D e depressão é uma das mais estudadas na psiquiatria nutricional.
Estudos mostram que pessoas com depressão têm, em média, níveis significativamente mais baixos de vitamina D do que pessoas sem o transtorno. A suplementação pode contribuir para a melhora dos sintomas — especialmente quando combinada ao tratamento convencional.
Uma metanálise publicada no Journal of Affective Disorders analisou mais de 31 ensaios clínicos e concluiu que a suplementação teve efeito positivo na redução dos sintomas depressivos — com maior benefício em pessoas com deficiência grave.
Importante: a vitamina D não substitui o tratamento psiquiátrico. Ela é parte de uma abordagem integrada — o que chamamos de psiquiatria do estilo de vida.

Vitamina D, ansiedade, TDAH e outros transtornos
A pesquisa vai além da depressão.
Níveis baixos de vitamina D estão associados a maior reatividade ao estresse e a respostas de ansiedade mais intensas. Isso acontece porque a vitamina D modula o sistema GABAérgico — o principal sistema inibitório do cérebro, responsável por “frear” a excitação nervosa. Quando esse sistema está desregulado, o cérebro fica em estado de alerta permanente.
A vitamina D também tem sido estudada em associação com:
- TDAH: crianças e adultos com TDAH apresentam, com maior frequência, deficiência de vitamina D. Alguns estudos mostraram melhora na atenção e no controle de impulsos com a suplementação
- Transtorno Bipolar: níveis baixos aparecem nos episódios depressivos do transtorno bipolar, e a suplementação pode auxiliar na estabilização do humor
- Insônia: a vitamina D regula o ciclo circadiano e interfere na qualidade do sono — tema abordado com profundidade no artigo sobre insônia
- Burnout e fadiga crônica: deficiência frequente em pessoas com esgotamento persistente e energia cronicamente baixa
- Esquizofrenia: deficiência gestacional de vitamina D está associada a maior risco de desenvolvimento da doença
Sinais de deficiência de vitamina D
O problema da deficiência de vitamina D é que ela raramente grita. Ela sussurra.
Os sintomas são inespecíficos — podem ser confundidos com muitas outras coisas. Por isso, o diagnóstico só é possível com exame de sangue.
Os sinais mais comuns incluem:
- Cansaço e fadiga sem explicação aparente
- Humor rebaixado, tristeza frequente ou irritabilidade
- Dificuldade de concentração e memória
- Dores musculares e nas articulações
- Infecções frequentes (gripes, resfriados, inflamações)
- Queda de cabelo
- Ansiedade elevada ou sensação de tensão constante
- Insônia ou sono de má qualidade
- Dor óssea, especialmente na lombar
Você se identificou com algum desses sintomas? Isso não confirma a deficiência — mas indica que vale investigar com exame.
Como saber se você tem deficiência de vitamina D
O exame é simples: 25-hidroxivitamina D (25-OH-D), pedido em qualquer laboratório.
Os valores de referência usados na prática clínica:
Digite o valor do seu exame para ver sua classificação:
| RESULTADO (ng/mL) | CLASSIFICAÇÃO | O QUE SIGNIFICA |
|---|---|---|
| Abaixo de 20 | Deficiência | Reposição urgente necessária |
| 20 a 29 | Insuficiência | Abaixo do ideal — reposição indicada |
| 30 a 39 | Adequado | Normal para saúde geral |
| 40 a 80 | Ótimo | Ideal para saúde mental e imunidade |
| 80 a 100 | Alto adequado | Aceitável — manter com acompanhamento |
| Acima de 100 | Atenção | Risco de toxicidade — avaliar com médico |
Valores de referência conforme diretrizes clínicas. O resultado deve sempre ser interpretado junto ao seu médico.
Para fins psiquiátricos e imunológicos, muitos especialistas recomendam manter os níveis entre 50 e 80 ng/mL — acima do mínimo considerado "normal" pelos laboratórios.
Esse é um dos pontos que avaliamos na consulta — porque o que está "dentro do normal" no exame nem sempre é o ideal para a saúde mental.
Quer avaliar seus níveis de vitamina D com uma visão de saúde mental?
Na consulta, avaliamos o exame dentro do seu contexto clínico completo.
Dosagem de vitamina D: como fazer a reposição corretamente
A suplementação de vitamina D precisa ser individualizada. Não existe uma dose certa para todo mundo.
A dose depende do nível atual no exame, do peso corporal, da presença de condições que dificultem a absorção (como doenças intestinais e obesidade) e do objetivo terapêutico.
As diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) orientam de forma geral:
- Manutenção (níveis normais): 1.000 a 2.000 UI/dia
- Insuficiência (20–29 ng/mL): 2.000 a 4.000 UI/dia
- Deficiência (abaixo de 20 ng/mL): doses de ataque entre 7.000 e 10.000 UI/dia por 8 a 12 semanas, seguidas de manutenção
- Objetivo psiquiátrico / imunológico: podem ser indicadas doses mais altas, sempre com acompanhamento médico
Atenção: vitamina D é lipossolúvel — se acumula no tecido gorduroso. O excesso pode causar toxicidade, com sintomas como náusea, confusão mental e danos renais. Por isso, a suplementação sempre deve ser acompanhada por um médico, com monitoramento laboratorial periódico.
Vitamina D com magnésio: por que essa combinação importa
Um detalhe que poucos sabem: o magnésio é necessário para ativar a vitamina D no organismo.
Sem magnésio suficiente, a suplementação pode ser parcialmente ineficaz. Por isso, em muitos casos, a reposição de vitamina D vem acompanhada da avaliação dos níveis de magnésio — especialmente em pacientes com queixas de saúde mental.
O magnésio também tem papel direto na regulação do sistema nervoso e na qualidade do sono. Mais um motivo para avaliar o conjunto.
Por que os brasileiros têm deficiência de vitamina D mesmo com sol o ano todo
Essa é uma das perguntas que mais aparecem na consulta.
O Brasil tem sol. Mas a síntese de vitamina D pela pele depende de vários fatores que muita gente desconhece:
- Horário de exposição: o sol das 10h às 15h é o mais eficiente — exatamente o período que a maioria passa dentro de casa ou no escritório
- Protetor solar: bloqueia até 97% da síntese cutânea de vitamina D
- Tom de pele: peles mais escuras precisam de mais tempo de exposição para produzir a mesma quantidade
- Obesidade: a vitamina D fica "sequestrada" no tecido adiposo, ficando menos disponível na circulação
- Envelhecimento: a capacidade de síntese cutânea diminui com a idade
- Estilo de vida indoor: rotinas dentro de casa ou escritório reduzem drasticamente a exposição ao sol
Ou seja: é possível morar no Brasil, ter sol disponível e ainda assim ter deficiência de vitamina D. E isso é muito mais comum do que imaginamos.
Vitamina D e ômega-3: a dupla que cuida do cérebro
Na psiquiatria nutricional, a vitamina D raramente é discutida de forma isolada.
Ela faz parte de um conjunto de intervenções com evidência científica. O ômega-3 é outro nutriente com papel central na saúde mental — e que, com frequência, também está deficiente em quem tem transtornos do humor.
A combinação de vitamina D, ômega-3, sono de qualidade e hábitos saudáveis forma a base da psiquiatria do estilo de vida — uma abordagem que integra o que você faz no dia a dia com o tratamento clínico.
Passo a passo para cuidar dos seus níveis de vitamina D
- Peça o exame: 25-OH-D em qualquer laboratório — solicite na próxima consulta ou agende uma avaliação
- Avalie o resultado com profissional: o número sozinho não basta — o contexto clínico importa
- Inicie reposição se necessário: com dose individualizada, baseada no exame e no seu histórico
- Inclua exposição solar intencional: 15 a 30 minutos de sol direto nos braços e pernas nos horários de maior incidência UVB
- Inclua alimentos fontes: peixes gordurosos (sardinha, salmão, atum), ovos e cogumelos contribuem — mas raramente são suficientes sozinhos
- Reavalie os níveis: após 3 a 4 meses de suplementação, repita o exame para ajuste de dose
Sobre a Dra. Romana Marzarotto

Dra. Romana Marzarotto é médica com atuação em saúde mental e medicina do estilo de vida. CRM SC 37262.
Sua abordagem integra medicina baseada em evidências com uma visão ampla do paciente: sono, alimentação, suplementação, saúde mental e qualidade de vida.
Ela acredita que cuidar da saúde mental vai muito além de prescrever. Envolve entender o estilo de vida, corrigir deficiências nutricionais e, quando necessário, tratar com responsabilidade e humanidade.
Quer uma avaliação completa da sua saúde mental e dos seus níveis de vitamina D?
Consultas presenciais e online disponíveis.
Fontes: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) — Diretrizes de Vitamina D; Journal of Affective Disorders — metanálise sobre vitamina D e depressão (2019); Organização Mundial da Saúde (OMS); Holick MF. Vitamin D Deficiency. N Engl J Med, 2007.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individualizada. Não inicie suplementação sem orientação profissional.
Nota de transparência
Este conteúdo foi feito com a ajuda de uma I.A., mas verificado e corrigido por um(a) humano(a). E não se preocupe, na nossa consulta, tudo é feito por e para humanos! Você é o centro da nossa atenção e cuidado. Conte comigo para iluminar o caminho.