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Dra. Romana Marzarotto – Saúde Mental em Chapecó – SC


Sobre a Dra. Romana Marzarotto

Dra. Romana Marzarotto

Dra. Romana Marzarotto é médica com atuação em saúde mental e medicina do estilo de vida. CRM SC 37262.

Atende pessoas em sofrimento relacionado ao trabalho, burnout e transtornos do humor com uma abordagem que considera o ser humano inteiro — não só o diagnóstico.

Consultas presenciais e online disponíveis.

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Você não está cansado do trabalho. Você está com burnout — e são coisas muito diferentes.

Cansaço passa com descanso. Burnout não. E enquanto a diferença não é entendida, o problema continua crescendo — em silêncio, por baixo da superfície, até que o sistema nervoso simplesmente trava.

O burnout não é um problema de produtividade. É uma doença. E como toda doença, tem história, tem mecanismo e tem tratamento.


O que é o burnout — e como ele virou doença

O termo burnout foi cunhado em 1974 pelo psicólogo Herbert Freudenberger, que o usou para descrever um estado de exaustão física e mental que observava em profissionais de saúde. A palavra significa, literalmente, “queimar até o fim”.

Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o burnout na CID-11 — a Classificação Internacional de Doenças — como um fenômeno ocupacional, definido por três dimensões:

  • Exaustão: sensação de esgotamento de energia que não se recupera com o repouso
  • Distanciamento mental: cinismo, indiferença ou distância emocional em relação ao trabalho
  • Redução da eficácia: sensação de incompetência e de que nada do que faz é suficiente

No Brasil, o burnout é reconhecido como doença ocupacional desde 2022, com direito a afastamento e benefícios previdenciários. Mas o reconhecimento legal é só o começo. O que importa é entender o que acontece por dentro.


Burnout não é fraqueza — é neurobiologia

Aqui está o que acontece no cérebro de quem desenvolve burnout.

O estresse crônico mantém o eixo HPA — hipotálamo, hipófise e adrenal — em estado de ativação contínua. Isso significa que o cortisol, o principal hormônio do estresse, fica elevado por tempo prolongado. E cortisol elevado cronicamente:

  • Reduz o volume do hipocampo — área ligada à memória e à regulação emocional
  • Desregula o sistema de recompensa dopaminérgico — o que explica a perda de prazer e motivação
  • Compromete o córtex pré-frontal — responsável pelo raciocínio, planejamento e tomada de decisão
  • Inflamatória cronicamente o organismo — aumentando o risco de doenças cardiovasculares, autoimunes e metabólicas

Não é que a pessoa ficou fraca. É que o sistema nervoso chegou ao limite da sua capacidade de adaptação. E quando chega nesse ponto, não adianta mais “força de vontade”. O sistema precisa de tratamento.

O burnout não diz nada sobre o seu caráter. Diz sobre o quanto você suportou — e sobre o quanto o seu corpo precisava de cuidado.

Está chegando no limite — ou já passou?

Uma avaliação cuidadosa pode identificar o que está acontecendo e traçar um caminho de volta.


As fases do burnout: como ele se desenvolve

O burnout raramente aparece de uma hora para outra. Ele se constrói em camadas — e cada fase tem características próprias.

1

Entusiasmo e excesso

Alta produtividade, dedicação intensa, dificuldade de pausar. A pessoa se sente indispensável — e isso é reforçado pelo resultado.

2

Estagnação e dúvida

O esforço começa a não render como antes. Surgem irritabilidade, frustração e a sensação de que algo está errado — mas ainda não se sabe o quê.

3

Frustração crônica

A pessoa questiona o valor do que faz. Aparecem sintomas físicos — dores, insônia, problemas digestivos. O cansaço não passa mais com o fim de semana.

4

Apatia e colapso

Exaustão profunda, indiferença, isolamento. A motivação desaparece. O sistema nervoso entrou em modo de proteção total — e travar é a única resposta que sobrou.


Sintomas do burnout: o que o corpo e a mente dizem

O burnout fala em muitas línguas. Às vezes é o corpo que grita primeiro — antes que a mente reconheça o problema.

Sintomas emocionais e mentais

  • Exaustão que não passa com o descanso
  • Sensação de vazio, cinismo ou indiferença
  • Dificuldade de concentração e memória
  • Irritabilidade ou impaciência fora do habitual
  • Perda de prazer em atividades que antes eram satisfatórias
  • Sentimento de incompetência mesmo diante de bons resultados
  • Ansiedade constante — mesmo nos momentos de descanso

Sintomas físicos

  • Dores de cabeça frequentes ou tensão muscular
  • Insônia ou sono não restaurador
  • Problemas gastrointestinais sem causa orgânica
  • Queda da imunidade — infecções frequentes
  • Palpitações ou sensação de aperto no peito
  • Fadiga física desproporcional ao esforço realizado

A visão moderna: trabalho e vida não são inimigos

Durante anos, a conversa sobre burnout girou em torno do “equilíbrio entre vida e trabalho”. Como se os dois fossem forças opostas que precisam ser mantidas separadas em pratos de balança.

Mas essa ideia está sendo revisada. O episódio “Não existe equilíbrio entre vida e trabalho” do Entrelinhas Podcast traz uma provocação importante: e se trabalho e vida não precisassem ser inimigos?

A proposta não é trabalhar mais — é trabalhar integrado. Reconhecer que o trabalho faz parte da vida, e que a vida dá sentido ao trabalho. Que a distinção rígida entre os dois pode, paradoxalmente, aumentar a tensão — não reduzir.

Do ponto de vista psiquiátrico, isso ressoa com o que sabemos sobre o burnout: ele não nasce apenas da quantidade de horas trabalhadas. Nasce da relação que o indivíduo estabelece com o que faz — da presença ou ausência de sentido, de autonomia, de reconhecimento e de limites internos.

Duas pessoas no mesmo ambiente, com a mesma carga, podem ter respostas completamente diferentes. Isso não significa que o ambiente não importa — mas que a resposta do organismo ao ambiente é o que define o adoecimento. E essa resposta tem história, tem padrão e tem tratamento.


Tratamento e recuperação do burnout

Recuperar-se do burnout não é uma questão de “bater uma cabeça” ou tirar férias. É um processo que exige abordagem estruturada.

  1. Diagnóstico médico: diferenciação do burnout de depressão maior, hipotireoidismo, anemia e outras condições que mimetizam o quadro
  2. Psicoterapia: especialmente abordagens focadas em crenças de desempenho, padrões de autoexigência e relação com limites — TCC e ACT têm maior evidência
  3. Regulação do sono: fundamental para a recuperação do sistema nervoso — abordado em detalhe no artigo sobre insônia
  4. Atividade física progressiva: uma das ferramentas mais eficazes para regulação do cortisol e recuperação da vitalidade
  5. Avaliação nutricional e laboratorial: incluindo vitamina D, magnésio e marcadores inflamatórios — frequentemente alterados em burnout grave
  6. Medicamentos quando necessário: especialmente quando há sobreposição com depressão ou ansiedade — sempre com acompanhamento médico
  7. Investigação de condições associadas como TDAH — que aumenta a vulnerabilidade ao burnout — e revisão da relação com o trabalho: não para eliminar o trabalho da vida, mas para ressignificar o papel que ele ocupa — e recuperar o senso de agência sobre as próprias escolhas

O burnout tem tratamento — e a recuperação começa com uma avaliação honesta.

Presencial ou online. Sem julgamento. Com escuta real.


Quando buscar ajuda

Procure avaliação médica se você se identificar com algum dos seguintes:

  • O cansaço não passa mais — mesmo depois de descansar, viajar ou tirar férias
  • Perdeu o prazer por coisas que antes te motivavam
  • Está se irritando com facilidade ou se sentindo indiferente a tudo
  • Tem dificuldade de se concentrar ou de tomar decisões simples
  • Seu corpo está manifestando sintomas físicos sem causa orgânica encontrada
  • Sente que está “no automático” — presente fisicamente, ausente emocionalmente
  • Tem pensamentos recorrentes de que não aguenta mais

Condições como o transtorno bipolar podem se manifestar inicialmente com quadros parecidos com burnout — por isso a avaliação médica é indispensável.O burnout não avisa quando vai chegar. Mas avisa antes de ir embora — e esses sinais são o aviso.


Nota de transparência

Este conteúdo foi feito com a ajuda de uma I.A., mas verificado e corrigido por um(a) humano(a). E não se preocupe, na nossa consulta, tudo é feito por e para humanos! Você é o centro da nossa atenção e cuidado. Conte comigo para iluminar o caminho.



Sobre a Dra. Romana Marzarotto

Dra. Romana Marzarotto

Dra. Romana Marzarotto é médica com atuação em saúde mental e medicina do estilo de vida. CRM SC 37262.

Atende pessoas em sofrimento relacionado ao trabalho, burnout e transtornos do humor com uma abordagem que considera o ser humano inteiro — não só o diagnóstico.

Consultas presenciais e online disponíveis.

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Fontes: Organização Mundial da Saúde — CID-11 (burnout como fenômeno ocupacional); Freudenberger HJ. Staff burn-out. Journal of Social Issues, 1974; Maslach C, Leiter MP. Burnout: The Truth About Stress in the Workplace; OMS; Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP); Entrelinhas Podcast — “Não existe equilíbrio entre vida e trabalho”, nov. 2025.

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individualizada.

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