NESTE ARTIGO
Sobre a Dra. Romana Marzarotto

Dra. Romana Marzarotto é médica com atuação em saúde mental e medicina do estilo de vida. CRM SC 37262.
Sua abordagem integra medicina baseada em evidências com uma visão ampla do paciente: peso, sono, alimentação, saúde mental e qualidade de vida.
Ela acredita que emagrecer com saúde exige olhar para o corpo e para a mente — ao mesmo tempo.
Quer uma avaliação que considere emagrecimento e saúde mental juntos?
Consultas presenciais e online disponíveis.
Emagrecimento e saúde mental são temas que raramente aparecem juntos — mas deveriam.
Quem luta para perder peso e não consegue, muitas vezes, não está falhando em força de vontade. Está lidando com algo mais profundo. Com depressão, ansiedade, compulsão alimentar ou com os efeitos colaterais de medicamentos que ninguém explicou direito.
E quem trata a saúde mental sem olhar para o peso e para o corpo, também está vendo só metade do problema.
Neste artigo, você vai entender como esses dois mundos se cruzam. A relação entre transtornos mentais e o ganho de peso, o papel dos novos medicamentos de emagrecimento, e como uma abordagem integrada pode mudar o resultado do tratamento.

A conexão entre emagrecimento e saúde mental
A relação entre peso e mente é bidirecional. Isso significa que cada um influencia o outro — nos dois sentidos.
O excesso de peso pode piorar quadros de depressão e ansiedade. E a depressão e a ansiedade dificultam — e muito — o processo de emagrecimento. É um ciclo que se retroalimenta.
Estudos mostram que pessoas com obesidade têm probabilidade até 55% maior de desenvolver depressão ao longo da vida, comparadas a pessoas com peso adequado. E que pessoas deprimidas têm risco significativamente maior de ganhar peso — especialmente peso abdominal.
Não é coincidência. É biologia.
Por que transtornos mentais causam ganho de peso
Não é falta de disciplina. Existem mecanismos biológicos muito concretos que explicam por que quem tem transtornos mentais ganha peso com mais facilidade.
Depressão e peso
Na depressão, o cérebro sofre alterações nos sistemas de recompensa e de regulação do apetite. Os níveis de cortisol — o hormônio do estresse — ficam cronicamente elevados. Isso favorece o acúmulo de gordura abdominal e aumenta a preferência por alimentos calóricos.
Além disso, a falta de energia e motivação que acompanha a depressão reduz drasticamente a atividade física. O sono prejudicado desregula os hormônios da fome — leptina e grelina — tornando muito mais difícil controlar o apetite.
Ansiedade e compulsão alimentar
Na ansiedade, comer se torna uma forma de regulação emocional. O alimento — especialmente açúcar e gordura — ativa o sistema de recompensa do cérebro e oferece alívio momentâneo da tensão.
O problema é que esse alívio é temporário. E o ciclo se repete: ansiedade → comer → culpa → mais ansiedade → comer de novo. Com o tempo, isso pode evoluir para um quadro de compulsão alimentar periódica — um transtorno que exige tratamento específico.
TDAH e impulsividade alimentar
No TDAH, a dificuldade de regulação de impulsos afeta também a alimentação. Comer sem fome, beliscar sem perceber, dificuldade de seguir rotinas alimentares — tudo isso é parte do quadro.
Estudos mostram que adultos com TDAH têm prevalência significativamente maior de obesidade, e que o tratamento do TDAH muitas vezes facilita o controle alimentar.
Transtorno Bipolar e variações de peso
No transtorno bipolar, as fases de depressão frequentemente cursam com hiperfagia (comer em excesso) e sedentarismo. Já as fases de hipomania podem trazer padrões alimentares erráticos. O resultado costuma ser flutuação de peso e dificuldade de manter hábitos estáveis.

Dificuldade para emagrecer e suspeita de que a saúde mental está envolvida?
Uma avaliação integrada pode fazer toda a diferença no seu tratamento.
Medicamentos psiquiátricos e o peso: o que ninguém explica direito
Esse é um tema que merece atenção — e honestidade.
Alguns medicamentos usados no tratamento de transtornos mentais podem causar ganho de peso como efeito colateral. Isso não significa que o tratamento deve ser evitado. Significa que precisa ser monitorado e, quando necessário, complementado com estratégias específicas.
Os mecanismos variam conforme o medicamento:
- Antipsicóticos atípicos (como olanzapina e quetiapina): bloqueiam receptores que regulam o apetite e o metabolismo, favorecendo ganho de peso significativo
- Estabilizadores de humor (como lítio e valproato): podem causar retenção hídrica e aumento de apetite
- Alguns antidepressivos (como mirtazapina e paroxetina): associados a aumento de apetite e ganho de peso em uso prolongado
- Corticosteroides usados em condições associadas: redistribuição de gordura e aumento do apetite
O ganho de peso induzido por medicamentos é uma causa real e frequente de abandono do tratamento psiquiátrico. Por isso, a conversa sobre peso deve fazer parte da consulta desde o início — e não aparecer apenas quando o problema já está instalado.
Análogos de GLP-1: o que são e o que a ciência diz sobre saúde mental
Nos últimos anos, os análogos de GLP-1 — como semaglutida (Ozempic, Wegovy) e liraglutida (Saxenda) — e os agonistas duplos GLP-1/GIP — como a tirzepatida (Mounjaro) — transformaram o campo do emagrecimento.
Esses medicamentos imitam hormônios intestinais que regulam o apetite e a saciedade. Atuam no cérebro reduzindo a fome, diminuindo o desejo por alimentos ultraprocessados e melhorando o controle glicêmico. A tirzepatida age em dois receptores simultaneamente — GLP-1 e GIP — o que resulta em perda de peso ainda maior. Estudos do programa SURMOUNT mostraram reduções médias de até 22,5% do peso corporal — os maiores resultados já registrados com medicamentos para obesidade.
Os resultados em emagrecimento são expressivos. Mas o que tem chamado ainda mais atenção da comunidade científica são os efeitos sobre a saúde mental.
O que os estudos mostram
Um estudo publicado em 2024 na Nature Medicine, com mais de 1,2 milhão de pacientes, avaliou os efeitos neuropsiquiátricos da semaglutida. Os resultados foram surpreendentes:
- Redução do risco de episódios de abuso de substâncias
- Menor incidência de pensamentos suicidas em pacientes sem histórico psiquiátrico
- Melhora em marcadores de ansiedade e humor em subgrupos específicos
- Possível efeito neuroprotetor em estudos com modelos animais
Outro estudo publicado no JAMA Psychiatry (2023) identificou que os receptores de GLP-1 estão presentes em regiões cerebrais ligadas à recompensa e ao controle de impulsos — o que pode explicar a redução no comportamento compulsivo, incluindo compulsão alimentar e uso de álcool.
Isso não significa que os análogos de GLP-1 são medicamentos psiquiátricos. Mas indica que seu impacto vai muito além da balança.
Quem pode usar
A indicação depende de avaliação médica individualizada. De forma geral, os análogos de GLP-1 são indicados para:
- Obesidade (IMC ≥ 30) ou sobrepeso com comorbidades (IMC ≥ 27)
- Pacientes com diabetes tipo 2 que precisam de controle glicêmico e perda de peso
- Pacientes com ganho de peso induzido por medicamentos psiquiátricos, em casos selecionados
Atenção: esses medicamentos não são indicados para perda de peso estética em pessoas sem critérios clínicos. O uso deve ser sempre acompanhado por médico, com monitoramento regular.
Quer saber se os análogos de GLP-1 fazem sentido no seu caso?
A indicação precisa considerar seu quadro clínico completo — incluindo a saúde mental.
Outras opções de tratamento para emagrecimento com impacto na saúde mental
Os análogos de GLP-1 são os mais estudados atualmente, mas não são a única opção. Outros medicamentos e abordagens também têm papel importante — especialmente quando saúde mental e peso precisam ser tratados ao mesmo tempo.
- Bupropiona + naltrexona (Contrave): atua em circuitos cerebrais de recompensa. Tem efeito antidepressivo leve e é especialmente útil em pacientes com compulsão alimentar e depressão leve
- Topiramato: anticonvulsivante com efeito de redução de apetite, usado em alguns casos de transtorno de compulsão alimentar periódica
- Metformina: pode atenuar o ganho de peso induzido por antipsicóticos — com boa evidência em pacientes com transtorno bipolar e esquizofrenia
- Psicoterapia (TCC): a terapia cognitivo-comportamental tem eficácia comprovada tanto para transtornos alimentares quanto para ansiedade e depressão — e deve sempre fazer parte do plano de tratamento
- Vitamina D e ômega-3: deficiências comuns em pessoas com obesidade, e que impactam diretamente o humor — como detalhamos nos artigos sobre vitamina D e ômega-3
A escolha do tratamento deve ser feita em conjunto com o médico, considerando o quadro completo do paciente — não apenas o número na balança.

Como deve ser a abordagem integrada entre emagrecimento e saúde mental
Tratar o peso sem tratar a mente costuma não funcionar. Tratar a mente sem considerar o peso deixa uma parte importante do problema sem solução.
A abordagem integrada parte de uma avaliação completa — e considera os dois lados ao mesmo tempo.
Na prática, isso inclui:
- Avaliação do quadro mental: identificar depressão, ansiedade, TDAH, compulsão alimentar ou outros transtornos que estejam contribuindo para o ganho de peso
- Revisão dos medicamentos em uso: verificar se algum medicamento psiquiátrico está causando ou agravando o ganho de peso — e avaliar alternativas quando necessário
- Avaliação laboratorial: incluindo vitamina D, insulina, hormônios tireoidianos e outros marcadores que impactam tanto o peso quanto o humor
- Definição de estratégia de emagrecimento: que pode incluir mudança de estilo de vida, medicamentos, ou ambos — sempre individualizada
- Acompanhamento contínuo: peso e saúde mental precisam ser monitorados juntos, com ajustes ao longo do tempo
Essa é exatamente a abordagem da medicina do estilo de vida com foco em saúde mental — que integra o que acontece no corpo com o que acontece na mente.
Quando buscar ajuda
Você deve buscar avaliação médica se:
- Tenta emagrecer repetidamente e não consegue manter os resultados
- Percebe que come em resposta a emoções — ansiedade, tristeza, tédio ou estresse
- Ganhou peso após iniciar algum medicamento psiquiátrico
- Tem diagnóstico de depressão, ansiedade, TDAH ou transtorno bipolar e também luta com o peso
- Tem episódios de compulsão alimentar — comer grandes quantidades em curto período, com sensação de perda de controle
- Sente que o peso impacta diretamente o seu humor e a sua autoestima
- Quer entender se medicamentos como os análogos de GLP-1 fazem sentido no seu caso
O cuidado integrado — corpo e mente juntos — é o caminho mais eficaz. E também o mais humano.
Fontes e referências: Luppino FS et al. Overweight, obesity, and depression — JAMA, 2010; Blumenthal SR et al. GLP-1 receptor agonists and neuropsychiatric effects — Nature Medicine, 2024; Wang W et al. GLP-1 receptors in the brain — JAMA Psychiatry, 2023; McElroy SL et al. Obesity in bipolar disorder — CNS Spectrums, 2011; Organização Mundial da Saúde (OMS); Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individualizada. Não inicie nenhum medicamento sem orientação profissional.
Sobre a Dra. Romana Marzarotto

Dra. Romana Marzarotto é médica com atuação em saúde mental e medicina do estilo de vida. CRM SC 37262.
Sua abordagem integra medicina baseada em evidências com uma visão ampla do paciente: peso, sono, alimentação, saúde mental e qualidade de vida.
Ela acredita que emagrecer com saúde exige olhar para o corpo e para a mente — ao mesmo tempo.
Quer uma avaliação que considere emagrecimento e saúde mental juntos?
Consultas presenciais e online disponíveis.
Nota de transparência
Este conteúdo foi feito com a ajuda de uma I.A., mas verificado e corrigido por um(a) humano(a). E não se preocupe, na nossa consulta, tudo é feito por e para humanos! Você é o centro da nossa atenção e cuidado. Conte comigo para iluminar o caminho.