NESTE ARTIGO
Sobre a Dra. Romana Marzarotto

Dra. Romana Marzarotto é médica com atuação em saúde mental e medicina do estilo de vida. CRM SC 37262.
Na minha consulta, dedico tempo a entender o seu padrão ao longo da vida — não só o episódio atual. Avaliamos a história completa, com escuta cuidadosa e sem julgamento.
📅 Agendar consulta com a Dra. RomanaO transtorno bipolar é uma das condições psiquiátricas mais conhecidas — e também uma das mais mal compreendidas.
Mas o transtorno bipolar de verdade é uma condição médica séria, com base neurobiológica estabelecida, que afeta o funcionamento global da pessoa — o trabalho, os relacionamentos, o sono, as finanças, a saúde física.
E que, com diagnóstico correto e tratamento adequado, permite uma vida plena e estável.
O que é o transtorno bipolar
O transtorno bipolar é uma condição psiquiátrica crônica caracterizada pela alternância entre episódios de mania (ou hipomania) e episódios de depressão — com períodos de estabilidade entre eles.
De acordo com o DSM-5, esses episódios têm critérios clínicos bem definidos — duração, intensidade e impacto funcional. Não é qualquer variação de humor.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o transtorno bipolar afeta cerca de 45 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, estima-se que 3% da população tenha alguma forma da condição.
É uma das principais causas de incapacidade global — não porque seja intratável, mas porque frequentemente não é diagnosticada a tempo. Estudos mostram que o diagnóstico correto leva, em média, 8 a 10 anos para ser estabelecido após o início dos sintomas.
Uma doença com história longa
A descrição de estados alternantes entre euforia e melancolia existe desde a Antiguidade. O médico grego Areteu de Capadócia, no século II d.C., já descrevia pacientes que alternavam entre estados de grande agitação e profunda tristeza.
O termo “psicose maníaco-depressiva” foi cunhado pelo psiquiatra alemão Emil Kraepelin no final do século XIX — um marco na compreensão da condição.
Só em 1980, com o DSM-III, o transtorno bipolar ganhou sua nomenclatura atual e critérios diagnósticos mais precisos.
Hoje sabemos que o transtorno bipolar tem base genética forte — com herdabilidade estimada entre 60% e 80% — e envolve alterações em sistemas de neurotransmissores e na regulação do ritmo circadiano.
Tipos de transtorno bipolar
O DSM-5 reconhece diferentes apresentações. As principais são:
- Transtorno Bipolar Tipo I — presença de pelo menos um episódio maníaco completo. É a forma mais frequentemente reconhecida
- Transtorno Bipolar Tipo II — episódios hipomaníacos alternando com episódios depressivos maiores. Nunca há mania plena. É o mais subdiagnosticado
- Ciclotimia — oscilações mais leves e frequentes de humor que não atingem critérios completos, mas causam prejuízo funcional
- Transtorno Bipolar induzido por substâncias ou condição médica
O tipo II merece atenção especial. Como a hipomania não parece um problema, ela frequentemente passa despercebida. O que chega ao médico é só a depressão. Isso leva a diagnósticos parciais e tratamentos inadequados por anos.
Sintomas do transtorno bipolar
Episódio maníaco
O episódio maníaco se caracteriza por humor elevado, expansivo ou irritável, com aumento de energia e atividade, durando pelo menos 7 dias:
- Necessidade reduzida de sono sem sentir cansaço
- Grandiosidade ou autoestima inflada
- Pensamento acelerado, fala rápida
- Distração extrema
- Aumento de atividade orientada a metas
- Comportamentos impulsivos com alto potencial de consequências negativas
Episódio hipomaníaco
A hipomania é uma versão mais leve e breve da mania — os mesmos sintomas, com menor intensidade e duração mínima de 4 dias. Não há psicose. Não exige hospitalização.
Episódio depressivo maior
- Humor deprimido na maior parte do dia
- Perda de interesse ou prazer em atividades antes valorizadas (anedonia)
- Alteração significativa de peso ou apetite
- Insônia ou hipersonia
- Fadiga e perda de energia
- Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva
- Pensamentos recorrentes de morte ou ideação suicida
É nessa fase que o risco de suicídio é mais elevado. Dados da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) reforçam a importância do diagnóstico e tratamento precoces.
Como o transtorno bipolar aparece no dia a dia
Entre os episódios agudos, o transtorno bipolar pode deixar marcas sutis mas que interferem de forma real na vida cotidiana:
- Relacionamentos — o que foi dito na mania, o afastamento da depressão, padrões que se repetem
- Trabalho e carreira — projetos iniciados com entusiasmo e abandonados, performance irregular
- Finanças — gastos impulsivos durante episódios maníacos que impactam anos depois
- Sono — alterações no padrão frequentemente precedem ou acompanham os episódios
- Autoestima — construída e destruída ciclicamente
O impacto é real — mas reversível com tratamento. O diagnóstico não define o futuro. Define o ponto de partida do cuidado.
Entenda mais: Insônia e Estresse.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do transtorno bipolar é clínico — feito a partir de uma avaliação médica detalhada. Não existe exame de sangue ou de imagem que confirme a condição.
O que essa avaliação inclui:
- História clínica completa — padrão de episódios ao longo da vida, não apenas o momento atual
- Critérios diagnósticos do DSM-5
- Histórico familiar
- Descarte de condições que mimetizam o transtorno bipolar — hipotireoidismo, uso de substâncias, TDAH, depressão unipolar
- Avaliação de comorbidades
Uma consulta superficial pode facilmente perder o diagnóstico. O transtorno bipolar se revela na trajetória — não no momento.
Linhas de tratamento do transtorno bipolar
O tratamento é de longo prazo. Com manejo adequado, permite vida plena e estável.
Estabilizadores de humor
São o pilar farmacológico. Lítio, valproato, lamotrigina, quetiapina — cada caso tem o medicamento mais adequado. Antidepressivos isolados, sem estabilizador de humor, podem precipitar episódios maníacos.
Psicoterapia
Especialmente a TCC e a Terapia Focada na Família. Ajuda a reconhecer sinais precoces, desenvolver estratégias de manejo e melhorar a adesão ao tratamento.
Estilo de vida como parte do tratamento
Sono regular é um dos pilares mais importantes. A privação de sono é um dos gatilhos mais documentados para episódios maníacos. Leia mais: Hábitos e Saúde Mental e Atividade física.
Como pedir ajuda
Você não precisa estar em crise para buscar avaliação. Sinais que pedem avaliação:
- Períodos de euforia, energia elevada ou irritabilidade intensa que duram dias
- Períodos de depressão que alternam com fases de “muito bem”
- Decisões impulsivas que você depois não consegue explicar
- Sono muito reduzido sem sentir cansaço em alguns períodos
- Histórico familiar de transtorno bipolar ou psicose
- Depressão que não responde bem ao tratamento habitual
- Sensação de que seu humor tem vida própria
Em caso de crise com pensamentos de se machucar: ligue para o CVV — 188, disponível 24 horas, gratuitamente.
Leia também: Depressão e Ansiedade.
Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Se você está em crise, ligue 188 — CVV, disponível 24 horas, gratuitamente.
Sobre a Dra. Romana Marzarotto

Dra. Romana Marzarotto é médica com atuação em saúde mental e medicina do estilo de vida. CRM SC 37262.
Na minha consulta, dedico tempo a entender o seu padrão ao longo da vida — não só o episódio atual. Avaliamos a história completa, com escuta cuidadosa e sem julgamento.
📅 Agendar consulta com a Dra. RomanaNota de transparência
Este conteúdo foi feito com a ajuda de uma I.A., mas verificado e corrigido por um(a) humano(a). E não se preocupe, na nossa consulta, tudo é feito por e para humanos! Você é o centro da nossa atenção e cuidado. Conte comigo para iluminar o caminho.