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Dra. Romana Marzarotto – Saúde Mental em Chapecó – SC


Sobre a Dra. Romana Marzarotto

Dra. Romana Marzarotto

Dra. Romana Marzarotto é médica com atuação em saúde mental e medicina do estilo de vida. CRM-SC 37.262.

Pós-graduada em psiquiatria. Atendimento presencial em Chapecó/SC e online para todo o Brasil.

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Ansiedade e depressão juntas. Ao mesmo tempo. No mesmo corpo. No mesmo dia.

De manhã, o peso. A vontade de ficar na cama. A sensação de que nada vale a pena.

De tarde, o coração acelerado. A lista mental de coisas que você não fez. O medo de que algo ruim esteja se aproximando — mas você nem sabe o quê.

À noite, os dois juntos. Exausto demais para viver. Agitado demais para dormir.

Se isso parece com o que você está vivendo, esse texto é para você. Para explicar o que está acontecendo, por que uma coisa puxa a outra — e o que você pode fazer a partir de agora.


E quando você tem as duas ao mesmo tempo?

A maioria das pessoas acha que ansiedade e depressão são opostos. Uma te acelera, a outra te freia. Uma te deixa elétrico, a outra te derruba.

Na teoria, parece que não combinam. Na prática, são as duas condições que mais aparecem juntas na psiquiatria.

Os números impressionam: estudos mostram que entre 50% e 75% das pessoas com depressão também apresentam sintomas significativos de ansiedade. E cerca de 60% de quem tem ansiedade relata sintomas de depressão.

Ou seja: ter as duas ao mesmo tempo não é exceção. É quase a regra.

O problema é que a maioria das pessoas não sabe disso. E acaba achando que o que sente não tem nome. Que é “tudo junto e misturado”. Que é confuso demais para alguém entender.

Tem nome. Tem explicação. E tem tratamento.


O que a medicina diz sobre isso — em linguagem humana

Existem duas formas de olhar para esse quadro na medicina. Vou explicar as duas de forma simples:

👆 Toque em cada card para entender a definição técnica

DSM-5
Depressão com “angústia ansiosa”
O manual mais usado no mundo

O DSM-5 não cria um diagnóstico separado para “ansiedade + depressão”. O que ele faz é reconhecer que, dentro de um episódio depressivo, a ansiedade pode estar tão presente que merece destaque. Isso se chama especificador de angústia ansiosa (anxious distress specifier).

Para ser aplicado, a pessoa com depressão precisa ter pelo menos 2 dos seguintes sintomas na maioria dos dias:

  • Sensação de nervosismo ou tensão
  • Inquietação incomum
  • Dificuldade de concentração por causa da preocupação
  • Medo de que algo terrível possa acontecer
  • Sensação de que pode perder o controle de si mesmo

Na prática: a grande maioria dos pacientes com depressão — entre 50% e 75% — tem esse especificador. Ou seja, ansiedade na depressão não é exceção. É o padrão mais comum.

CID-11
Transtorno misto de depressão e ansiedade
Código 6A73 — o diagnóstico próprio

A CID-11 (Classificação Internacional de Doenças, usada pela OMS) vai além e cria um diagnóstico específico: o Transtorno Misto de Depressão e Ansiedade (código 6A73).

Critérios:

  • Sintomas de ansiedade e depressão presentes na maioria dos dias
  • Por pelo menos 2 semanas
  • Nenhum dos dois, sozinho, é intenso o suficiente para justificar diagnóstico separado
  • Mas juntos causam sofrimento real e prejuízo funcional

Na prática: é aquele quadro em que você não “encaixa” perfeitamente em depressão nem em ansiedade, mas está claramente sofrendo e a vida está sendo afetada. Um estudo de 2022 estimou que esse quadro pode afetar até 11% da população geral — mais comum que depressão ou ansiedade isoladas.

O que importa para você não é decorar o nome. É entender que o que você sente tem descrição médica, tem base biológica e não é invenção da sua cabeça. E que o tratamento existe.


Como esse combo aparece na vida real

Na teoria, ansiedade é aceleração e depressão é freio. Na prática, ter as duas é como dirigir pisando no acelerador e no freio ao mesmo tempo. O motor grita, o carro não anda — e tudo quebra por dentro.

Veja se algum desses cenários parece familiar:

🛏️
Manhã: o despertador toca e a primeira sensação é de peso. Não dor — peso. Como se o cobertor fosse de concreto. Mas ao mesmo tempo, a cabeça já está listando tudo que deveria fazer.
💼
Trabalho: você se senta na frente do computador e não consegue começar nada. Trava. Mas a culpa de não estar produzindo gera uma angústia que aperta o peito.
🍽️
Alimentação: ou come demais (buscando alívio) ou esquece de comer (sem apetite). Às vezes os dois no mesmo dia.
👥
Relações: se afasta das pessoas — mas depois sente culpa por se afastar. Quer ficar sozinho, mas a solidão dói.
🌙
Noite: exausto demais para qualquer coisa. Agitado demais para dormir. A cabeça roda repassando o dia e antecipando o de amanhã. O corpo pede descanso, o cérebro não deixa.
🔄
Ciclo: e no dia seguinte, tudo recomeça. Igual. Ou pior.

Se você leu essas cenas e pensou “isso sou eu” — continue lendo. Entenda mais sobre como a insônia e o estresse crônico alimentam esse ciclo.


Isso parece com você? Faça o teste.

Isso não é um diagnóstico. Mas pode te ajudar a ver com clareza o que está sentindo — e a decidir se é hora de buscar ajuda.

🟠 SINTOMAS DE ANSIEDADE
Preocupação constante e excessiva
Coração acelerado ou aperto no peito
Tensão muscular (pescoço, mandíbula)
Dificuldade de relaxar mesmo sem motivo
Medo de que algo ruim vai acontecer
Irritabilidade fácil e desproporcional
🔵 SINTOMAS DE DEPRESSÃO
Tristeza ou vazio sem explicação
Perda de interesse em coisas que antes importavam
Cansaço extremo que não passa com descanso
Dificuldade de concentração ou memória
Culpa constante ou sensação de inutilidade
Sono alterado (demais ou de menos)
Ansiedade
Depressão


Por que ter as duas é pior do que ter uma só

Não é só somar dois sofrimentos. Quando ansiedade e depressão convivem no mesmo corpo, elas se alimentam mutuamente — e o resultado é maior do que a soma das partes.

A pesquisa é clara nesse ponto:

😴
Insônia mais grave. Até 90% dos pacientes com depressão ansiosa têm insônia — contra 60% na depressão sem ansiedade. Leia sobre insônia.
Tratamento mais demorado. A resposta à medicação tende a ser mais lenta e menos completa quando as duas estão presentes.
📉
Maior impacto na qualidade de vida. Estudos mostram que o quadro misto prejudica mais o funcionamento físico, emocional e social do que cada condição isolada.
🔄
Maior risco de cronificação. Sem tratamento, metade dos pacientes com quadro misto evolui para um transtorno completo dentro de um ano.

Mas existe uma boa notícia: o tratamento funciona — especialmente quando começa antes do quadro se consolidar. E quando a abordagem olha para os dois ao mesmo tempo, não para um de cada vez.


O que fazer — e por onde começar

Se você se reconheceu neste texto, o próximo passo não é se diagnosticar sozinho. É buscar uma avaliação médica que olhe para o quadro completo — ansiedade, depressão, sono, alimentação, estilo de vida — e construa um plano que faça sentido para você.

1. Psicoterapia — a base

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é eficaz tanto para ansiedade quanto para depressão — e especialmente para o quadro misto, onde os padrões de pensamento se retroalimentam. Não é só “falar sobre problemas”. É aprender a funcionar de forma diferente. Veja: técnicas para ansiedade.

2. Avaliação médica completa

Tireoide, vitamina D, B12, ferro, magnésio — várias deficiências e desequilíbrios se manifestam como ansiedade, depressão, ou os dois. Uma avaliação que investiga essas causas pode mudar completamente o rumo do tratamento.

3. Medicação quando necessária

Para o quadro misto, as diretrizes recomendam antidepressivos que também atuem na ansiedade. Não é muleta. É suporte para que o trabalho terapêutico funcione.

4. Estilo de vida — o que sustenta tudo

Exercício, alimentação e sono não são detalhes. Um estudo publicado em 2024 mostrou que um programa combinando atividade física, nutrição e apoio social — junto ao tratamento tradicional — produziu melhora significativa em pacientes com quadro misto.

O que eu quero que você leve deste texto:

Ter ansiedade e depressão juntas não é fraqueza dobrada. É um quadro médico reconhecido, estudado e tratável. Você não precisa entender perfeitamente o que está sentindo para pedir ajuda. Basta estar sofrendo. Isso já é suficiente.


Sobre a Dra. Romana Marzarotto

Dra. Romana Marzarotto

Dra. Romana Marzarotto é médica com atuação em saúde mental e medicina do estilo de vida. CRM-SC 37.262.

Pós-graduada em psiquiatria. Quando ansiedade e depressão chegam juntas, o cuidado precisa olhar para as duas ao mesmo tempo — e para tudo ao redor.

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Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individualizada. Em caso de crise com pensamentos de se machucar, ligue 188 — CVV, disponível 24 horas, gratuitamente.


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Este conteúdo foi feito com a ajuda de uma I.A., mas verificado e corrigido por um(a) humano(a). E não se preocupe, na nossa consulta, tudo é feito por e para humanos! Você é o centro da nossa atenção e cuidado. Conte comigo para iluminar o caminho.

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